Joinville recebeu nos dias 22 e 23 de setembro a 13ª edição do Meeting Comex, na Expoville. O evento da ACIJ reuniu cerca de 3 mil pessoas e, pela primeira vez, teve formato internacional, com delegações de câmaras de comércio de mais de dez países, a China entre elas. A Open Trade passou os dois dias entre painéis, rodadas de negócio e conversas de corredor.
Voltamos com uma conclusão simples: quase tudo o que se discutiu em Joinville cabe numa agenda de uma semana. O importador que chegar em outubro sem ter decidido câmbio, espaço em navio e documentação vai atravessar a peak season pagando o preço cheio de cada atraso.
O recado de Joinville: o quarto trimestre já começou
Quem opera logística internacional já sentia o movimento, e o evento confirmou. A peak season está em curso, o câmbio segue pressionado e o espaço nas rotas marítimas da Ásia para o Brasil está cada vez mais disputado.
Nas conversas com o setor, os armadores sinalizaram ajustes de preço para outubro e novembro. Para quem acompanha o mercado, nada de surpreendente. Para quem ainda não reservou espaço, o aviso chega com pouca margem de manobra.
Três temas que dominaram as conversas
Cabotagem voltou para a mesa de quem distribui pelo país
A cabotagem, que é o transporte de carga por navio entre portos brasileiros, apareceu mais do que em edições anteriores. A lógica é levar a mercadoria importada que chega em Santos, por exemplo, até portos do Nordeste ou do Sul pelo mar, no lugar de longos trechos rodoviários.
Para quem importa volume e distribui para várias regiões, a conta pode fechar melhor. Em rotas que antes dependiam só de caminhão, o custo tende a compensar e o prazo, em muitos casos, fica competitivo.
Vale a ressalva que os próprios painéis fizeram: cabotagem depende de frequência de linha, do porto de destino e de volume suficiente. Carga urgente ou lote pequeno continua, na maioria dos casos, indo melhor por estrada. É uma opção a mais no planejamento, e precisa ser avaliada rota por rota.
Rastreabilidade virou condição para entrar na negociação
O segundo tema com força foi compliance de cadeia: saber de onde vem cada componente do produto, quem fabricou, em que condições, e conseguir provar tudo isso em documento.
Para quem importa da China, esse assunto saiu da categoria “seria bom ter”. Grandes compradores, redes varejistas e marketplaces já pedem rastreabilidade completa antes de fechar contrato. Quem não consegue apresentar, fica de fora da negociação antes mesmo de discutir preço.
Na prática, isso começa no sourcing, bem antes do embarque. Fornecedor escolhido sem visita, sem auditoria e sem documentação organizada vira problema quando o cliente final pede a origem de um componente e ninguém sabe responder.
Cinco minutos de conversa valem semanas de e-mail
Joinville fica ao lado do complexo portuário catarinense: Itajaí, Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul. Muitos dos agentes de carga e despachantes aduaneiros que atendem importadores da região estavam no evento, e isso fez diferença.
O que vimos nos corredores foi gente resolvendo em cinco minutos o que estava parado havia semanas por e-mail: prazo de embarque do último trimestre, uma pendência de documento, a confirmação de um booking.
Se você não esteve lá, a lição continua valendo. Esta é a semana de ligar para o seu agente de carga em Itajaí (ou de onde for) e para o seu despachante aduaneiro e alinhar o que precisa chegar antes de dezembro. Por telefone ou pessoalmente, não em mais uma troca de mensagens.
Antes de outubro: as três decisões desta semana
Câmbio travado para as compras do trimestre
Se as compras do último trimestre ainda estão com câmbio em aberto, a decisão é desta semana. Com o dólar pressionado, esperar para ver significa aceitar que a margem do produto vai ser definida pela cotação do dia do pagamento. Quem importa da China com previsibilidade trava câmbio como parte do planejamento, e não como reação ao mercado.
Booking de novembro confirmado até o fim de setembro
Os slots de novembro estão sendo reservados agora. Se a mercadoria precisa estar no Brasil antes de dezembro, o booking precisa estar feito até o fim deste mês. No frete marítimo China Brasil em plena peak season, espaço que não é confirmado costuma ser oferecido a quem está pronto para embarcar.
Documentação parada sai da gaveta antes da virada do mês
LI (licença de importação), anuência de órgãos como Anvisa ou Inmetro, registro de produto, classificação fiscal (NCM). Tudo o que ficou para depois precisa andar antes de outubro. No comércio exterior, documento parado vira carga parada no porto, com armazenagem correndo enquanto a pendência se resolve.
Quando não vale a pena mexer em nada agora
Se o seu câmbio já está travado, o booking de novembro confirmado e o seu despachante tem a documentação em dia, a melhor decisão é não mudar nada. Trocar de parceiro logístico ou reestruturar a operação no meio da peak season acrescenta risco num momento em que o mercado tem pouca folga para erro.
O que o Meeting Comex mostrou vale como checklist para quem ainda tem pontas soltas. Para quem já resolveu as três, é hora de planejar 2027 com calma, e não de reinventar o quarto trimestre.
O que vem em outubro
Setembro foi intenso por aqui: palestra de Setembro Amarelo com o time, peak season batendo na porta, Meeting Comex e gravações com os nossos gestores.
Outubro traz novidades para a Open Trade. Ainda não podemos contar, mas quem acompanha a nossa newsletter vai saber primeiro.
Links externos
| Contexto | Fonte |
|---|---|
| Primeiro parágrafo | meetingcomex.com.br (site oficial do evento) |
| Cabotagem | gov.br/antaq (dados e regras de navegação de cabotagem) |
| LI e anuências | Portal Único Siscomex (gov.br/siscomex) |
| Câmbio | Banco Central (bcb.gov.br), cotações oficiais |




